Olivia de Havilland
Não costumo mencionar este género de efemérides por aqui, mas ao ver hoje esta referência na IMDB não resisti. Olivia de Havilland, actriz de cinema imortalizada como Marian em As Aventuras de Robin dos Bosques e Melanie em E Tudo o Vento Levou, faz hoje 93 anos. E recomenda-se. Celebrizada por interpretar mulheres doces e cândidas, a verdade é que na vida real Olivia, sem nunca descer dos seus saltos, era uma força da natureza. Olivia e a sua irmã, a igualmente célebre actriz Joan Fontaine (que também ainda é viva), protagonizaram uma das mais duradouras brigas de Hollywood. As irmãs não se falam desde 1975!
Na era dourada de Hollywood, Olivia de Havilland foi a primeira pessoa a desafiar com sucesso os contratos de verdadeira escravatura a que os estúdios de cinema sujeitavam as suas grandes estrelas. Naquela época, os actores assinavam contratos de exclusividade com um estúdio por vários anos. O estúdio tinha controlo praticamente total sobre os filmes que interpretavam. E às vezes emprestavam-nos a outros estúdios como se de equipamento se tratasse. Se um actor recusava fazer certo filme, poderia ser colocado em "suspensão" e o tempo de "suspensão" não contava para a duração do contrato! Através deste sistema, um estúdio poderia manter um actor ou actriz contratualmente preso a si por tempo indeterminado. Depois de ter sido colocada em "suspensão" por desejar protagonizar outro género de filmes e não apenas os papéis de suave donzela que lhe apresentavam, Olivia de Havilland foi colocada em "suspensão" pela Warner Brothers. E ficou-se? Não! Processou o estúdio e foi a primeira a fazê-lo com sucesso, triunfando onde até a feroz Bette Davis falhou. Numa decisão proferida em 1944, o tribunal superior da Califórnia deu razão à actriz, declarando que nenhum contrato poderia ter duração superior a sete anos, e que o tempo de "suspensão" contava como tempo de contrato. Esta jurisprudência ficou conhecida como a Decisão De Havilland ou a Lei De Havilland. E vale até hoje. Esta decisão revolucionou a indústria do entretenimento na América de um modo que se pode comparar ao efeito da Lei Bosman no futebol, ditando o princípio do fim do studio system que governava Hollywood com mãos de ferro. E tudo porque esta admirável senhora teve a força de carácter para lutar pelos seus direitos.
Já agora: se por acaso têm a edição especial com 4 discos do filme E Tudo o Vento Levou, o documentário exclusivo Melanie Remembers: Reflections by Olivia de Havilland, filmado em 2004, é um dos melhores extras da caixa. Olivia mantém toda a boa disposição e excelente memória que quase nos fazem desejar ter uma avozinha assim. Bem haja!













